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Opinião


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Outra vez, Natal!
20/12/2012 10:42:21
E se chegarmos lá, terão sido 65 Natais, hoje, literalmente de barbas brancas como se espera de qualquer Noël.

Natal... Alguns alegres, outros nem tanto, uns muito tristes mesmo... mas todos eles... Natal. Menino Deus nasceu tanto que penso já deva estar enjoado de fazê-lo, para ver o mundo igualzinho... os homens e mulheres com a mesma índole de sempre... comendo maçãs e escutando serpentes... e sambando ao redor dos mesmos bezerros de ouro.

Sodoma e Gomorra bem podiam ser filmadas em terras tupiniquins... Há metrópoles de sobra que fariam corar de vergonha qualquer Sodomita de antanho... “Homem” já se casa com homem... coisa séria mesmo, com direito a “papel passado” e cerimônia religiosa... e ai do “retrógrado” - o nome ou rótulo técnico é homófobo -, que ousar criticar ou se insurgir contra essa “natural” convergência, que não se restringe ao universo “masculino”, é óbvio, pois que à mulher é garantido o apanágio da “igualdade”, que Deus, em um momento de divina insanidade qualquer talvez tivesse pretendido negar. Mas este talvez seja o menor dos problemas, afinal, curte quem quer!

Mas é Natal, outra vez, e sempre é tempo de pensar que amanhã tudo vai amanhecer diferente... que a barriga cheia, do festim da véspera, irá nos alimentar satisfatoriamente até que outro Natal venha nos lembrar que Jesus nasceu... mais uma vez. Supostamente para nos salvar... de quem? De nós mesmos, acho.

E tudo é bonito... lindo mesmo. Pessoas que nunca se viram confraternizam nos eventos e comércios, estes sim, de um entusiasmo que chega a ser infantil. Salim chega a torcer as mãos de contente e, secretamente, agradece a Allah a boa safra natalina... a conta-corrente este ano vai engordar, com certeza! Quem sabe dá pra mandar algum lá pra distante Palestina?

Crianças, alheias aos problemas e vicissitudes mundanas, próprias dos adultos, brincam satisfeitas e alegres, isto o melhor do Natal... a alegria infantil... olhinhos brilhantes de felicidade incontida... curiosos para na manhã do Dia Santo, descobrir o que o Eterno Velhinho lhes trouxe este ano... afinal, a elas, crianças, pertence o Reino dos Céus!

Mas adultos também ganham presentes... uns caros, vistosos, imponentes... outros, de uma simplicidade ingênua; mas numa coisa são iguais... a alegria e felicidade de quem recebe, só é as vezes superada pelo tamanho do sorriso de quem presenteia... esses são os inusitados e incompreensíveis... humanos.

Há também aqueles para os quais a felicidade teimosamente vira as costas... são pouco ou nunca lembrados, mas existem... e hoje em dia não são poucos, notadamente nas grandes cidades. Não seriam esses também filhos de Deus?

Gente honesta que perdeu a liberdade por alguma besteira insana... contrastando com gente desonesta que comemora a liberdade em suntuosas festas. Mundo de contrastes...

Miseráveis que perambulam por ruas desertas, sujeitos a chuvas e trovoadas, inclusive de canhões, ainda que portáteis... Pessoas que perderam a noção do ser e existir, e que perambulam imersos na anestesia do crack ou coisas piores... perdidas de si mesmas. Gente que sofre em hospitais e, nessa hora, pouco importa se de luxo ou da miséria, a dor é a mesma... para brancos e pretos, ricos e pobres, religiosos ou ateus. Para esses talvez até soe obsceno dizer: feliz Natal! É duro, porém verdadeiro.

Mas uma trégua mística parece confundir e tornar tudo difuso nessa época mágica que comemora um nascimento que, pasmem, alguns até insistem em dizer que ocorreu em data muito diversa (?). Caramba! O que mais pensar?

Prefiro pensar um Deus (e porque não Deusa?) que está acima do bom e do mau... que está aberto aos que Dele procuram se acercar, com a alma simples da criança ou velho, sem arroubos de fanatismo insano, sem ouro, sem pompa... despidos da cobiça e apenas vestidos com o caráter que conseguiram construir em um mundo que não foi feito para ser compreendido... mas apenas... vivido!

Feliz Natal, mundo louco!


por: A.Coutinho

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